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A MESA ONDE O TEMPO TOMA CHÁ

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"A máquina antiga ainda guarda o clique. As fotos espalhadas — instantes que preferiram ficar.  E a xícara fumegante diz: desacelere, olhe, lembre-se. Tudo sobre a mesma madeira que um dia foi árvore e também guarda suas histórias."

ENTRE CLIQUES E VAPORES

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Mesa de madeira guarda mais que objetos:   guarda tempo.   A máquina antiga já não dispara,   mas ainda aponta pra tudo que fomos.   As fotos espalhadas são mapas de ontem,   cada canto dobrado é um caminho que a saudade refaz.   E a xícara, morna,   é a única que ainda insiste em estar no presente.   Aqui, o passado não está exposto.   Está servido.   Em goles pequenos,   pra não acabar de uma vez. Fotos da Net: Procuro Autoria  

*CÉU DIGITAL*

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Neste céu não existe amanhã nem ontem. Só existe o agora. Céu Digital Entre o pulsar suave de fios azuis e brancos que se entrelaçam como veias de luz, existe um céu que respira devagar. No centro, um brilho rosado-lilás, quente e acolhedor, como um colo feito de aurora. É ali que tudo se acalma. É ali que eu me deito. Os fios delicados fluem ao meu redor, quase invisíveis, quase carinhos. Eles tocam minha pele sem peso, pulsam no mesmo ritmo do meu coração, conectando cada pedaço de mim ao infinito. Não há pressa. Não há barulho. Apenas o movimento lento e vivo do universo inteiro, como se o próprio cosmos estivesse respirando junto comigo. E então eu chego. Não como um trovão que explode, mas como aquele que chega devagar, para não assustar a paz que já existe ali. Eu me deito ao seu lado, no centro daquele brilho rosado-lilás que pulsa suave. Meu corpo de luz se encaixa perfeitamente no seu, como se o céu tivesse sido feito exatamente para este momento. Sinto teu calor contra o meu,...

HATSHEPSUT - A Faraó de Barba Fake

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Hatshepsut – A Mulher que Colocou Barba Fake e Virou Faraó Imaginem a cena: Egito, século XV a.C.  O faraó Tutmés II morre e deixa um filho pequeno no trono. A viúva, em vez de ficar quietinha no canto como uma boa rainha regente, olha para o trono, respira fundo e pensa:  “Sabe de uma coisa? Eu consigo fazer isso melhor”. E foi exatamente o que ela fez. Hatshepsut não pediu licença. Não esperou o sobrinho crescer. Ela simplesmente assumiu o controle, se coroou faraó e governou o Egito por mais de 20 anos — em plena Era do Bronze, quando ser mulher e mandar era quase impensável. Mas o detalhe mais hilário é como ela fez isso: resolveu que, se o Egito só aceitava faraó com cara de homem, então ela ia dar cara de homem. Mandou esculpir estátuas dela com corpo musculoso, kilt tradicional, coroa de faraó… e, claro, a famosa barba postiça. Sim, ela usava barba fake nas imagens oficiais. Marketing pessoal nível hard. Enquanto muitos faraós saíam por aí conquistando territórios na ba...

Espírito Monção - Partes III e IV

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Esta é a imagem da mudança sem ruptura. Do Eu que não se distrói para recomeçar, ele se molha, aquece, se molda. * *Espírito Monção – Parte III (Alquimia Interna)** Sou o ponto exato onde a gota encontra o fogo e decide não morrer, mas transmutar. A chuva desce em mim como memória antiga, lava os nomes que já não sirvo, amassa o barro endurecido das antigas certezas até ele virar argila maleável outra vez. O sol sobe depois, não para secar, mas para assinar. Ele queima o excesso, doura as bordas do que restou, transforma a umidade em brilho, a dor em transparência. Não sou mais só água nem só luz. Sou o vapor que nasce quando os dois se tocam — nem líquido, nem seco, um estado intermediário onde o impossível respira. Na varanda da alma, a poça reflete o céu limpo e o raio dourado corta a superfície que não quebra. Ali, eu aprendo o segredo: a verdadeira força não está em escolher um lado, mas em sustentar os dois até que eles se fundam num terceiro elemento que nenhum meteorologista co...

Espírito Monção - Partes I e II

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  Esta é um figura contemplativa. Não é um deus bravo - é um *filho* de dois mundos. * *Espírito Monção** Sou filho do aguaceiro e do sol impaciente, um ser de monções, de ciclos desenhados entre o dilúvio e o deserto. A chuva vem primeiro — lava as palavras gastas, amolece o barro seco das certezas, faz rios das minhas frases antigas. Sob seu véu prateado, até o passado escorre, líquido, pelo ralo do tempo. Mas não basta esquecer,  preciso do sol como um ourives precisa do fogo. Ele seca as gotas da indecisão, estampa no chão a sombra nítida do que quero dizer. Sua luz é faca e mel: corta o que sobra, adoça o que ficou. Ah, contradição que me mantém vivo! Se fico só na água, apodreço de saudade. Se fico só no sol, racho de orgulho. Mas no meio — entre o último trovão e o primeiro raio — encontro meu equilíbrio impossível: pés na lama, olhos no céu, enquanto minhas mãos, úmidas de esperança, escrevem no ar o que ainda vai nascer. Sou monção. Sou o intervalo entre a pergunta e ...