*A Nave e Eu*
"A Nave simplesmente estava ali." O Portal Que Não Explica Nada Eu parei porque não havia mais para onde correr. Ou talvez porque, pela primeira vez, correr não fazia sentido. O portal não pediu permissão para aparecer. Ele simplesmente estava ali, ovalado, maior que qualquer porta que a arquitetura humana já ousou sonhar, com bordas de luz ciano e magenta que pulsavam como veias de algo vivo. Não era barulho, era respiração. Não era som, era batimento. Do meu lado: areia fria, pôr do sol alaranjado morrendo devagar atrás das montanhas que pareciam dentes de um planeta que nunca pediu pra ser habitado. Do outro lado: outra coisa. Uma nave — ou o que eu decidi chamar de nave — pairava imóvel, como se o tempo tivesse esquecido de cobrar dela. Sua forma era ao mesmo tempo orgânica e impossível: curvas que não terminavam, superfícies pretas brilhantes cortadas por veios turquesa e roxo que pareciam circuitos de luz ou artérias de um ser que respira plasma. Ela não se movia, mas d...