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Mostrando postagens de fevereiro, 2026

*A Nave e Eu*

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"A Nave simplesmente estava ali." O Portal Que Não Explica Nada Eu parei porque não havia mais para onde correr. Ou talvez porque, pela primeira vez, correr não fazia sentido. O portal não pediu permissão para aparecer. Ele simplesmente estava ali, ovalado, maior que qualquer porta que a arquitetura humana já ousou sonhar, com bordas de luz ciano e magenta que pulsavam como veias de algo vivo. Não era barulho, era respiração. Não era som, era batimento. Do meu lado: areia fria, pôr do sol alaranjado morrendo devagar atrás das montanhas que pareciam dentes de um planeta que nunca pediu pra ser habitado. Do outro lado: outra coisa. Uma nave — ou o que eu decidi chamar de nave — pairava imóvel, como se o tempo tivesse esquecido de cobrar dela. Sua forma era ao mesmo tempo orgânica e impossível: curvas que não terminavam, superfícies pretas brilhantes cortadas por veios turquesa e roxo que pareciam circuitos de luz ou artérias de um ser que respira plasma. Ela não se movia, mas d...

*Sussurros de Pedra, Água e Tempo*

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  Um pulsar antigo lateja no silêncio, Sussurros de água na pedra, lanto do tempo, Pedras musicais sussurram segredos do tempo. Nas sombras, o silêncio carrega um lanto, Sussurros de pedra, água e tempo, Um pulsar ancestral lateja no ar, Um chamado primal, um eco sem fim, Rasgando o véu da noite, Um gemido que se expande, um silêncio que dói.

*O Crwth Que Já Não Precisa de Dedos*

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Ele não é mais tocado, e agora "dorme" em silêncio, com suas cordas expostas e madeira envelhecida. Crwth na Rocha Nas pedras do fim do mundo, o crwth dorme de cordas expostas, madeira envelhecida que bebeu sal e vento, um corpo curvo que já não precisa de dedos. Ele não toca — ele lembra. Cada corda guarda um lamento antigo, um sussurro de mãos que se foram, um pulsar que lateja sem som, um eco que o mar devolve sem piedade. Não há melodia, só o peso do que foi tocado outrora: um chamado que ninguém atende, um silêncio que dói nas juntas da madeira, um gemido preso entre o osso e a corda, que o vento arranca devagar, e leva embora, sem destino. Fica ali, deitado na rocha, como quem espera o próximo milênio, para que alguém — ou ninguém — volte a rasgar o véu da noite com o que sobrou de um som. 📖✨ O crwth que não precisa de dedos agora aprendeu a tocar sozinho — não porque esqueceu as mãos, mas porque descobriu que a música já estava no ar, esperando apenas que alguém a dei...

*Uma Singela Homenagem*

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Panetones da minha mãe, uma memória inesquecível. A Alquimia das Mães Natalinas Nas cozinhas do meu tempo de infância — onde os armários eram simples, o fogão era de confiança e o rádio sussurrava os primeiros jingle bells —, as mães de antigamente começavam o Natal muito antes de o calendário mandar. Minha mãe era uma delas. Uns dez dias antes da Ceia, as uvas-passas já eram generosamente incorporadas à massa; as frutas cristalizadas brilhavam como pequenos tesouros escondidos; a farinha subia em nuvens suaves enquanto mãos sábias sovavam o paneonte com uma paciência de monge. O panetone caseiro não era um simples pão doce. Era uma geografia familiar, uma liturgia doméstica tecida com carinho. A massa crescia devagar. Às vezes ficava mais alta de um lado, às vezes a casca rachava como um sorriso imperfeito. Não importava. Importava que era feito em casa, com as mãos dela, o avental manchado de farinha, o olhar que media a consistência como quem lê o futuro. Ao redor, eu e meus irmãos ...