*Folhas de Outono*
*"O outono me deu um poema que eu não sabia que precisava.
Um idoso no banco da praça,
as folhas —
tantas que nem sei
se são outono
ou páginas rasgadas
de um diário alheio.
**No seu texto:**
Você o vestiu de gratidão,
enquanto suas próprias palavras
— escritas de madrugada entre planilhas —
eram folhas escapando
do tronco do cansaço.
**Agora, no poema:**
Confesso:
tenho inveja desse velho.
Ele sabe que o tempo
não é inimigo,
é apenas um vento
que sopra
para um lado
e depois para outro.
Eu,
presa ao relógio do escritório,
invento filosofias
como quem colhe folhas secas
e as cola de volta nos galhos.
*(Mas ambas sabemos:
a única lição real
é que o outono
é a única estação
que ensina
sem precisar
de palavras.)*
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*"Escrevo sobre um velho sábio enquanto meu relógio biológico grita:
‘Cadê minha aposentadoria poética?’"*

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