*O Rei que Varre as Próprias Ruas*
Uma crônica poética original, inspirada no espírito de “Viva La Vida” — aquela sensação de quem um dia segurou o mundo nas mãos e agora caminha entre as ruínas do que construiu, percebendo que tudo era mais frágil do que parecia. Escrevi pensando na efemeridade do poder, mas também na estranha liberdade que vem depois da queda.
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"O Reinado da Ilusão"
Era uma vez um homem que comandava os ventos.
Bastavam-lhe um gesto, uma palavra baixa, e os mares se curvavam, as multidões se ajoelhavam.
Ele não precisava gritar; o mundo já gritava por ele.
Nas manhãs de ouro, acordava cercado de espelhos que só refletiam glória.
As ruas eram suas, os sinos tocavam só para anunciar sua passagem,
e até os inimigos, antes de morrer, agradeciam o privilégio de tê-lo enfrentado.
Um minuto ele segurava a chave do reino.
No minuto seguinte, as portas se fecharam com um estrondo que ninguém ousou explicar.
Descobriu, tarde demais, que seus castelos eram feitos de sal e areia fina —
belos ao sol, mas que o primeiro vento forte levava embora.
Agora, nas manhãs frias, ele varre as ruas que outrora lhe pertenciam.
Ouve os sinos de uma cidade distante tocarem para outro nome.
O coro que antes cantava sua vitória agora entoa hinos para o novo rei.
E ele caminha devagar, vassoura na mão, recolhendo folhas secas e pedaços de ontem.
Há dias em que sente falta do peso da coroa.
Há dias em que agradece por não carregá-la mais.
Porque, pela primeira vez, pode ouvir o próprio passo no chão.
Pela primeira vez, ninguém mente para ele — nem mesmo ele mesmo.
As palavras agora são poucas, mas verdadeiras.
Os espelhos quebraram, e o que restou foi um rosto cansado, porém limpo.
Os revolucionários já não esperam sua cabeça.
Ela continua no lugar, mas já não serve para sustentar ouro nenhum.
É só uma cabeça comum, de um homem comum,
que aprendeu que reinar é fácil;
o difícil é aprender a viver depois de deixar de reinar.
Às vezes, à noite, ele para no meio da rua vazia
e escuta o vento que um dia obedeceu suas ordens.
O vento passa por ele agora como se nunca o tivesse conhecido.
E ele sorri — um sorriso pequeno, quase secreto.
Porque descobriu que a verdadeira liberdade
não está em mandar o mundo se curvar,
mas em conseguir andar ereto
quando o mundo já não se importa mais com você.
E assim segue o antigo rei, varrendo suas ruas,
ouvindo sinos que não tocam para ele,
cantando baixinho uma canção que ninguém mais lembra.
Long live the man who no longer needs a throne.
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Espero que tenham gostado.😘
“Inspirado em Viva La Vida (Coldplay).
"Parceria com Grok (xAI)”.

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