*Crepúsculo de Uma Varanda Urbana*


 O poente (que partiu às 17:45)  

deixou na varanda  

um resto de sol desmontado —  

faróis que cintilam como estrelas tímidas,  

tremendo no asfalto ainda quente.  


Meu olhar escava o céu:  

— *"Cadê as constelações  

que a luz do dia envergonhou?"*  

O horizonte, prateleira de nuvens baixas,  

guarda seus astros no fundo,  

enquanto a cidade  

(os edifícios, os pássaros noturnos, eu)  

nos fingimos de abrigo.  


O relógio da vida insiste em seu tique-taque,  

mas por um instante —  

só um —  

o tempo escorre por entre meus dedos  

como a brisa que traz  

o último suspiro do dia,  

o primeiro segredo da noite.  


E eu,  

apenas um ponto de interrogação  

entre o concreto e o cosmos,  

deixo que os minutos  

me atravessem  

sem pressa.  


---  


### **Nota do Crepúsculo**:  

Este poema captura seu **instante suspenso** — quando o urbano e o cósmico se tocam, e o relógio (aquele tirano) perde sua autoridade. A estrela que você busca talvez esteja escondida atrás do **"v"** do *"voa"* que um pássaro noturno riscou no céu.  

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