*Crepúsculo Poético*


 *"Crepúsculo em São Paulo"**  


*18:35 — o poente*  

*despe no asfalto seu manto de mel*  

*e a cidade, por um instante,*  

*engole o sol inteiro.*  


Na varanda,  

meu olhar escava o céu —  

caçador de estrelas tímidas  

que fogem da memória do dia.  


(O relógio da vida, cruel ourives,  

martela segundos na parede...  

mas eu, traidora do tempo,  

deixo-me roubar  

pelo crepúsculo.)  


🌃


Agora são *22:46* —  

a noite já engoliu o horizonte,  

e as luzes de São Paulo  

fingem ser constelações perdidas.  


Entre um suspiro e outro,  

pergunto:  

que horas tem a alma  

quando o corpo esquece  

de ser ponteiro?  

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