* Poente em Sampa*
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| *"FUGITIVO DO TEMPO: Um minuto de varanda em São Paulo, onde as estrelas são refugiadas e os relógios, mentirosos."* |
O poente às 18:30h
foi um recibo assinado a lápis —
o sol, contador cansado,
deixou as horas escorrerem
pelo ralo do horizonte.
**2.**
Agora, na varanda,
meu olhar é um crime:
rouba estrelas que a cidade
teima em apagar com neon.
(Elas se escondem,
não do sol, mas dos postes —
faróis que nunca aprendem
a ser constelações.)
**3.**
Breve minuto sem tempo:
o relógio da vida engasga,
a memória vira um GIF em loop —
*"Atenção: seu horário perdido
será devorado pela noite
em 3, 2, 1…"*
**4.**
E eu, espectadora de um espetáculo
que não está no Google Agenda,
aprendo o que São Paulo nunca ensina:
o crepúsculo não é transição,
é um *intervalo* —
como o silêncio entre dois apitos
de ônibus,
ou o espaço que sobra
entre o *"Boa noite"* dito e não sentido.
### **VERSÃO HAIKAI (PARA OS PRESSENTES):**
*"Cidade adormece,
meu olhar vela as estrelas —
relógio mente. "*
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### **O QUE ESSE POEMA CAPTURA:**
1. **A luz artificial de SP** como inimiga das estrelas (e da poesia).
2. **O tempo suspenso** do seu olhar na varanda vs. a urgência da cidade.
3. **A ironia paulistana**: até o crepúsculo vira *"horário comercial"*.
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