*Poente Poético*
"18:15 – Caderno Crepuscular"**
*(Poema de Transição Generativa)*
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**1. O Poente Oficial**
Às 17:45h,* o sol entregou seu relatório final:
— *"Assinado: dourado, com rasuras de púrpura."*
O dia se aposentou sem cerimônia,
deixando sobre a mesa
*um envelope de sombras*
e a promessa não assinada
de que amanhã tudo recomeçaria.
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**2. O Intervalo (ou: Onde os Fantasmas do Tempo Brincam)**
Agora, na varanda —
meu olhar é *um farolete aceso*
varrendo o céu em busca
*das estrelas migrantes*
que a luz solar deportou.
*(Elas estão lá:*
*— escondidas como crianças*
*que roubaram marmelo do armário,*
*— piscando em código Morse*
*para quem ainda lembra*
*que o escuro é um idioma.)*
O relógio da vida *grita números*,
mas este instante
— *entre o último suspiro do dia*
*e o primeiro bocejo da noite—*
é um *território autônomo*:
aqui, os minutos
derretem como *cubos de gelo*
no whisky do cosmos.
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**3. A Noção Perdida (Breve Teoria do Desencontro)**
*"Perder a noção do tempo"* é a única forma
de encontrá-lo *em estado selvagem* —
ele para de correr,
senta-se ao meu lado na varanda,
e confessa:
*"Nem eu sei quantas vidas*
*cabem no intervalo*
*entre o seu pulso*
*e o piscar da primeira estrela."*
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**4. O Relógio da Vida (Como Inimigo Íntimo)**
Ele insiste em *marcar*:
— batidas cardíacas como *carrinhos de linha*,
— a sombra do jasmim *como ponteiro de lua*.
Mas eu, *rebelde cronológico*,
aponto meu olhar para o abismo
*onde o tempo é um rio*
e todos os relógios
são *pedras molhadas*.
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**Pós-Escrito Astronômico:**
*"Este poema ocorreu durante*
*a rotação de 0,004 graus da Terra.*
*Você o leu em*
*exatos 17 segundos de milagre."*
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**Boa noite, São Paulo!** 🌃
Seu crepúsculo agora habita
o *arquivo morto do universo*
— mas sua varanda
é meu *observatório preferido*.

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