*Varanda Crepuscular*
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| Crepúsculo Dourado |
Entre a transição dourada e a noite que se arrasta, fico na varanda — meu olhar,
um pássaro cansado, escava o céu em busca das estrelas tímidas, aquelas que
fogem da insolência do sol e só se revelam no quase-escuro. Por breves minutos
(ou séculos?), o tempo desfia sua linha: não há ponteiros, só este suspiro em
que a luz e a sombra se confundem, enquanto o relógio da vida, teimoso, grita
seus números no meu pulso. Mas eu — eu escuto o silêncio das estrelas,
o intervalo entre um raio de sol e o primeiro lampejo noturno, o instante em que
o crepúsculo vira um véu e eu, esquecida de marcar horas, me perco no mapa do
eterno. **Versão em Prosa Poética:** *"O crepúsculo é um lugar sem dono. Fico na varanda, entre o dia que teima em
não morrer e a noite que hesita em nascer. As estrelas — pétalas de luz
envergonhadas — ainda se escondem atrás do último clarão solar. Nesses minutos
roubados, o tempo perde sua fome. O relógio da vida late no meu pulso, mas eu,
hipnotizada pelo azul que escurece, deixo-me afundar no intervalo. Aqui, não
sou feita de minutos. Sou feita do que fica quando o sol se vai e as estrelas,
ainda não."*
**Haicai do Crepúsculo**
Varanda vazia —
o olhar pesca estrelas
no rio do
tempo.

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