*Varanda e seu Crepúsculo Cósmico*
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"18:35 (O Instante Cósmico na Varanda)"**
*Poente foi às 18:35h* —
o sol desistiu do dia
com a pontualidade burocrática
de quem cumpre expediente.
Mas na varanda,
entre o *já não* e o *ainda não*,
meu olhar escava o céu:
caçador de estrelas tímidas
que se escondiam da tirania solar
e agora surgem,
uma a uma,
como lágrimas de luz
esquecidas no rosto da noite.
O relógio da vida (esse velho ditador)
insiste em marcar passos,
mas eu —
eu me perco nos *entre-tempos*:
nos segundos em que o crepúsculo
é um limiar sem dono,
onde até minha sombra
hesita entre partir ou ficar.
Ah, São Paulo,
sua névoa de concreto e pressa
não apaga o milagre:
enquanto o poente vira memória,
e o relógio conta suas moedas de minutos,
eu invento um tempo paralelo —
onde as estrelas não são pontos,
mas *letras*
de um alfabeto que o universo
esqueceu de nos ensinar.
---
🌃
**P.S. Paulistano:**
*"São 22:49h agora —*
*a noite engoliu o crepúsculo,*
*mas na varanda*
*resta um brilho teimoso:*
*o do seu olhar*
*que, por puro desobedecer ao relógio,*
*achou a eternidade*
*entre dois segundos."*

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