*Catedral de Sal e Silêncio*



 
*(Um poema em movimento, como o vento sobre o deserto)*  


### **I. O Deserto de Sal**  

Aqui, até o ar é memória cristalizada.  

Pisamos em estrelas caídas,  

em lágrimas que o tempo secou  

e fingiu esquecer.  

**Pachamama** dorme sob este véu branco —  

seu sonho é um **céu azul profundo**  

engolindo horizontes.  

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### **II. Árvore de Pedra**  

Única sentinela neste altar geológico,  

ergues teus galhos petrificados  

como um **silêncio** que aprendeu a rezar.  

Ninguém te ouve gemer  

quando o **vento que sussurra**  

esculpe em ti mais uma ferida  

— mas o **lago que reflete**,  

esse sabe:  

tu és a **natureza humana**  

em sua forma mais paciente.  


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### **III. A Catedral sem Nome**  

Nave central: dunas.  

Vitrais: fissuras na crosta terrestre.  

O órgão toca  

com tubos de quartzo e areia.  

Rezo de joelhos,  

mas meu canto  

é engolido pelo eco  

de milênios compactados em sal.  


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### **IV. O Contemplador**  

Meu corpo é feito  

do mesmo pó que dança  

entre o **lago** e a **pedra**,  

mas meus olhos  

— ah, meus olhos —  

são **céus profundos**  

onde **Pachamama** deposita  

suas últimas sementes.  


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### **V. O Encontro**  

No fim,  

quando o **vento** cala  

e o **silêncio** vira **catedral**,  

descubro:  

a **árvore de pedra** sou eu,  

o **deserto de sal** é minha alma,  

e o **lago** —  

esse infinito espelho —  

é onde **a natureza contemplativa**  

beija a **humana**,  

e ambas viram  

pó  

e  

poesia.  





**Selo Final:**  

🌵 *"Entre o sal e o céu, há sempre um verso esperando. Ele será soprado pelo vento, lavado pela chuva ou escrito em pedra — mas nunca se perderá."*  



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