*"Rio que Nega ser o Mesmo"*.

O rio não chora — empresta suas lágrimas ao mar."*

 *"Rio-Memória"**  

O rio deságua em pranto  
— o mar é um copo vazio  
onde derramamos tudo  
e chamamos de fim.  

Mas olhe:  
a primeira lágrima do mundo  
já foi nuvem,  
já foi rio,  
já caiu em outro lugar  
com nome de recomeço.  

A vida é essa queda  
que teima em ser travessia:  
água salgada de ontem  
beijando doce a foz de amanhã.  

Navegamos sempre  
no mesmo rio que nega ser o mesmo,  
enquanto o mar —  
eterno ladrão de identidades —  
nos devora e cuspirá em estrelas.  

🏞🏞🏞

Versão em Haicai (Para Ambiguidade Concentrada):**  

*O rio se perde  
no mar que o digere —  
o céu bebe devagar.*  

*Nuvem de lamento:  
chove em outra infância.  
O mar ri de sal.*  


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