**O Baú Esquecido**

"Dentro do antigo Baú, só as flores

e as estradas  sabem."


 **O BAÚ QUE FLORECE**  


Na estrada rural, onde a névoa esmeralda respira,  

jaz um baú antigo.  

O tempo esverdeou-lhe a madeira,  

transformando-a em musgo sólido,  

pátina de séculos esquecidos.  


Sobre ele — único testemunho —,  

um vaso de água límpida sustenta  

o coral das margaridas,  

o luto elegante do lírio negro,  

a fugacidade do dente-de-leão,  

e o sol em miniatura do girassol.  


As flores bebem a névoa fria da manhã,  

sussurram segredos ao vento parado.  

Sabem o que o baú esconde:  

cartas de amor carbonizadas?  

Moedas de um reino submerso?  

Ou apenas silêncio —  

puro e denso como a névoa?  


A estrada calça botas de lama,  

vê carroças fantasma passarem,  

mas cala-se.  

Guarda em seu barro a memória  

de quem abandonou o baú ali,  

entre samambaias e segredos.  


O mundo pergunta:  

*“Que tesouro há dentro?”*  

As flores curvam-se,  

gotejam orvalho.  

O baú ri com ferrugem.  

Só a névoa sabe,  

e ela se desfaz ao meio-dia.  

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