**O Cubo, o Lago e o Poente**

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 *"Onde a geometria bebe o caos do poente:  

um cubo, um lago, e todo o ouro do mundo  

refratado em ângulos perfeitos."*


**A Arca do Poente**  

No lago quieto, o sol derramava ouro líquido.  

No centro das águas — como um diamante caído do céu —,  

flutuava **o cubo de vidro**.  

Transparente, puro, **aprisionando o poente** em suas arestas.  


Dentro dele, o sol não se punha:  

era um **coração âmbar** pulsando contra o vidro,  

derretendo montanhas em silhuetas de púrpura,  

enroscando árvores em raízes invertidas no espelho d'água.  


O mundo fora?  

Apenas névoa:  

— céu desfocado,  

— colinas sonolentas,  

— horizonte queimando-se no próprio fogo.  


Mas dentro do cubo...  

ali nascia um **universo paralelo**.  

Geometria sagrada onde:  

*"o crepúsculo não era fim,  

era semente de luz engarrafada para a noite."*  


Quem o colocou ali?  

Ninguém sabia.  

Talvez os deuses tivessem cansado de altares  

e preferissem relicários portáteis.  


Aos poucos, o sol mergulhou atrás das montanhas.  

O cubo escureceu —  

mas não antes de cuspir **um último raio**  

que riscou o lago como a assinatura de um pintor:  

 *"Há beleza até na fria precisão.  

Até no vidro, há fogo guardado."*  


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