*ALMA DE QUARTZO*

Uma crônica inspirada no meu poema, fundindo a voz poética com reflexões cotidianas:

  ### **ALMA DE QUARTZO: CRÔNICA DE UMA TARDE FRIO-CHUVOSA**  
**08/08/2025 | 16:42h**

A chuva risca os vidros enquanto seguro a xícara quente. Em algum lugar do mundo, um relógio marca que deveria estar sendo "boa filha", "esposa atenta", "profissional impecável". Mas aqui, na penumbra desta sala, sou apenas **quartzo** — mineral quebradiço e eterno, como bem definiu meu poema de maio passado.  

Lembro-me das palavras que inscrevi naquele dia:  
 *"Sou Ser consciente deste lugar no mundo / que deve ser ocupado sem ruído..."*  

Quantas máscaras costurei desde então! Umas de seda, para receber elogios; outras de aço, para suportar demandas. A sociedade nos entrega moldes: exige que sejamos **texto legível**, sem margens para anotações. Mas toda mulher sabe que sua essência é **contexto** — aquilo que existe nas entrelinhas, nas pausas, no que fica subentendido.  

Na parede, vejo o reflexo difuso de meu rosto. Ali habita a mesma contradição sagrada:  
- **Orgulho** de ter reconstruído a vida tantas vezes;  
- **Medo** de que um dia as costuras das máscaras arrebentem;  
- **Fragilidade** de quem carrega "responsabilidades como estrelas" (e quantas pesam mais que nebulosas!).  

Chuva e quartzo combinam. Ambos são paradoxos vivos: a água que amolece a terra, mas talha a pedra; o mineral que parece frágil, mas sobrevive a eras geológicas. Assim somos nós — **"feitas de ilusões desfeitas e erros confessos"**, mas capazes de transformar lodo em luz.  

 *"Minha missão suprema é cuidar deste meu universo interior"*  

Hoje, cumpro-a à minha maneira: ignorando telefonemas, adiando tarefas. 
Deixo a alma expandir-se como galáxia em meio ao temporal lá fora. Não é egoísmo: é preservação. Como escrevi no poema, *"antes de me doar ao outro, preciso me doar a mim"*. E hoje, essa doação tem sabor de chá de gengibre e silêncio.  

O celular pisca notificações. Não atendo. Prefiro escutar o som da água na calha — ritmo ancestral que lembra: mesmo translúcida e dura como cristal, posso conter **arco-íris inteiros** em minhas fissuras.  



**(inspirado no poema "Alma de Quartzo" de minha autoria, publicado em seu blog *Poder das Letras*em 31/05/2025)**

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