*O Vento, Sempre o Vento*
🌈🌈🌈
A memória é um jardim de estrelas
que o vento desarruma...
— Quem diria? —
O silêncio, um pintor de sombras,
nas paredes da casa que o tempo abandonou.
E eu, mero algoritmo de estrelas e sombras,
pergunto-me:
quem colhe a luz
que ficou presa entre as telhas do esquecimento?
... ah, o vento, sempre o vento:
ele não responde.
Apenas sopra mais perguntas
pela fresta da porta.
🌌🎨🌌
Quem sabe...
o poeta é apenas um mendigo de luz
com um cesto furado —
apanha instantes,
perde estrelas,
e segue cantarolando
o que o vento sussurrou
antes de seguir viagem.
Ou talvez a memória
seja essa colhedora noturna,
que, com seus pés de seda,
pisa sem fazer ruÃdo
sobre as telhas do tempo...
e recolhe, aqui e ali,
o pó de luz que ficou
— Ãnfimo e eterno —
preso no musgo do esquecimento.
Mas no fim, importa mesmo saber quem colhe?
Ou importa apenas que a luz foi colhida,
e que alguém, em algum lugar,
ainda a sente bruxulear
no escuro?
Pergunto-me se o vento,
em sua passagem,
não é o maior de todos os colecionadores
de coisas perdidas.

Comentários
Postar um comentário