*Onde a Geometria Bebe o Céu*
Este cubo é uma **metáfora da percepção**: como enxergamos beleza e transcendência nos objetos mais cotidianos quando a luz certa os toca.
Um instante em que o ordinário virou sacramento.
**GEOMETRIA DO INSTANTE**
Sobre a mesa fria de metal,
um **cubo de ar solidificado**.
Vidro tão límpido
que o mundo o atravessa
e nele se refaz:
→ **o azul** — não mais céu, mas *lâmina profunda*,
→ **as nuvens** — fantasmas de algodão derretido,
→ **o pássaro** — um risco de carvão vivo
riscando o infinito preso.
O sol poente entra pela janela
como um **fole dourado**:
sopra brasa nas arestas,
derrama mel nas superfícies,
acende **fogos líquidos**
dentro dessa fria geometria.
Eis o milagre:
o que era limite, torna-se horizonte.
O que era gaiola, vira asa.
O cubo — estático, severo —
**dissolve-se em luz e movimento**,
arquiteta um novo céu
com quatro paredes de vento.
Neste altar urbano,
o vidro é um **súplice**
que entrega seu corpo
para que o mundo nele **coma seu mistério**.
Até a matéria mais dura
pode ser taça
para o vinho do ocaso.
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"Entre metais e sombras,
ergue-se um santuário de transparências:
o azul derramado no copo do mundo,
a asa que risca o vidro sem partir o ar."
#ArquiteturaDeLuz
#PoesiaNoCotidiano
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