*Onde o Não Dito Pousa as Asas*
*A VERDADE QUE HABITA*
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Seu silêncio não é vão,
É casa.
Morada funda, de alicerce escuro,
Onde o Não Dito pousa asas.
Habita as minhas emoções –
Sombra viva, eco mudo
Na sala vazia do peito.
E nele...
(Nesse vácuo que pesa,
Nesse chão de palavras soterradas)
Encontro.
Não ouro, nem luz:
A verdade.
Crua, nua, raiz exposta
Do que sou (do que somos?).
Ela palpita ali,
Intacta,
No útero do calar.
Mas minha língua é pedra,
Meu sopro, âncora.
A verdade que habita o silêncio
É a mesma que o medo guarda
– Gaiola de ouro,
Muralha de vidro.
Encontro-a.
Reconheço seu rosto.
Mas não ouso...
(Não ouso dar-lhe voz,
Não ouso romper o teto do mundo,
Não ouso verter o rio
Que alagaria os olhos.)
Então ela cresce,
Enraíza-se mais fundo
No solo do Não Dito.
Torna-se coluna,
Viga mestra
Dessa casa de silêncio
Que seu calar construiu
E meu temor sustenta.
E assim seguimos:
Verdadeiramente sós,
Verdadeiramente mudos,
Na intimidade gelada
Dessa verdade que não ousamos dizer
– Habitante eterna,
Senhora do que, por medo,
Só no silêncio ousa viver.

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