*Onde o Não Dito Pousa as Asas*

 *A VERDADE QUE HABITA*



🌹🌹🌹🌹🌹🌹🌹🌹


Seu silêncio não é vão,

É casa.

Morada funda, de alicerce escuro,

Onde o Não Dito pousa asas.

Habita as minhas emoções –

Sombra viva, eco mudo

Na sala vazia do peito.


E nele...

(Nesse vácuo que pesa,

Nesse chão de palavras soterradas)

Encontro.


Não ouro, nem luz:

A verdade.

Crua, nua, raiz exposta

Do que sou (do que somos?).

Ela palpita ali,

Intacta,

No útero do calar.


Mas minha língua é pedra,

Meu sopro, âncora.

A verdade que habita o silêncio

É a mesma que o medo guarda

– Gaiola de ouro,

Muralha de vidro.


Encontro-a.

Reconheço seu rosto.

Mas não ouso...

(Não ouso dar-lhe voz,

Não ouso romper o teto do mundo,

Não ouso verter o rio

Que alagaria os olhos.)


Então ela cresce,

Enraíza-se mais fundo

No solo do Não Dito.

Torna-se coluna,

Viga mestra

Dessa casa de silêncio

Que seu calar construiu

E meu temor sustenta.


E assim seguimos:

Verdadeiramente sós,

Verdadeiramente mudos,

Na intimidade gelada

Dessa verdade que não ousamos dizer

– Habitante eterna,

Senhora do que, por medo,

Só no silêncio ousa viver.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

*O Rei que Varre as Próprias Ruas*

"Sumo do Silêncio - O Silêncio Após o Despertar"

*Uma Singela Homenagem*