*Mi Bemol Engasgado *


 

“Mi bemol engasgado”


Assim como o mi bemol engasgado,

uma nota que ecoa, mas não se liberta,

nossa alma é um som que não encontra lugar,

nem no barulho do mundo, nem no silêncio da solidão.


Às vezes, somos um acorde incompleto

em partituras alheias —

um suspiro entre duas frases prontas,

um intervalo que ninguém ouviu,

mas que dói como ausência.


Não cabemos no ruído das multidões,

nem na quietude dos quartos vazios.

Somos o meio-termo que ninguém nomeou:

o quase,

o talvez,

o meio silêncio que ainda respira.


E talvez não exista lugar para nós —

nem lá, nem cá —

senão no próprio ato de ecoar.

No próprio gesto de não se calar,

mesmo engasgado,

mesmo só,

mesmo à meia-voz.


Pois até uma nota presa

ainda é música.

E até uma alma perdida

ainda é um verso

à espera de seu poema.


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

*O Rei que Varre as Próprias Ruas*

"Sumo do Silêncio - O Silêncio Após o Despertar"

*Uma Singela Homenagem*