*O Sino e a Orquídea*




O SINO E A ORQUÍDEA: SEGUNDO MOVIMENTO”


O sino não cala –

espreita.

Sua boca de bambu

só se abre

quando a orquídea

suspira

um verso

que ninguém ouve

a não ser ele,

o guardião de jade

que aprendeu

que algumas músicas

não são para a multidão –

são para uma única flor.


O vento insiste,

rosna,

chacoalha as placas

com ciúmes de quem

não entende

que alguns amores

preferem o idioma

do quase-silêncio

ao barulho

do mundo.


E assim vivem:

ela, orquestrando

com pétalas

seu concerto invisível;

ele, traduzindo

em um só tilintar

toda uma geografia

de montanhas verdes

e devoção.


Não é romântico

no sentido humano –

é divino.

Porque às vezes

Deus é isso:

um sino que só toca

para uma orquídea,

e uma orquídea

que só se mexe

para ser ouvida

por ele.


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