*Um Badalo Apenas*
Um sino toca, e o silêncio se desfaz em som.
O bronze antigo guarda o eco de séculos,
pendurado no arco vermelho como coração suspenso.
O céu nublado observa, quieto,
sem pressa de revelar o que virá.
Um badalo apenas —
e o ar se parte,
o tempo se curva,
o invisível vira voz.
O silêncio não morre;
apenas se transforma
em onda que atravessa pedra,
céu, alma.
E nesse instante,
entre o nada e o tudo,
o mundo lembra
que até o vazio
tem voz
quando alguém
ousa
tocar.
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